terça-feira, 22 de julho de 2014

142) Desencarnes Coletivos (ótima explicação!!!)


 Desencarnes Coletivos 
(ótima explicação!!!)

     Às 12:30h* (* hora local) do último dia 17 de julho decolava da cidade de Amsterdã, na Holanda, para Kuala Lampur, na Malásia, o voo MH17 da Malaysia Airlines. 
     Além dos 15 tripulantes, embarcaram na aeronave 283 passageiros de diversas nacionalidades, dentre as quais se encontravam holandeses, australianos, malaios, indonésios e filipinos. 
     Pelo portão de embarque cruzaram passaportes com as fotos de médicos, pesquisadores, jovens, crianças, todos levando na bagagem memórias e expectativas comuns em uma ponte aérea.  

          Era previsto que o Boeing 777-200 seguisse seu plano de voo, cruzando cerca de 10.248 Km em 11 horas e 20 minutos, e pousasse no Aeroporto de destino às 05:59h*. 
     No entanto, por volta de 12:40h*, a aeronave perdeu contato com os radares enquanto sobrevoava o leste da Ucrânia, na região de Donetsk, área de atuação de grupos separatistas pró-Rússia. 
     Embora muitos detalhes ainda não estejam claros, os fatos indicam, até então, que possivelmente o avião teria sido abatido por mísseis terra-ar disparados pelos respectivos grupos.

           Indubitavelmente, uma fatalidade, uma calamidade, um desencarne coletivo! 
     Duzentos e noventa e oito almas subitamente retornam para a espiritualidade sem um prévio aviso natural, como a enfermidade ou o esgotamento irremediável dos órgãos físicos.

           Desencarnes deste tipo fazem parte de nossa história desde os tempos mais remotos. 
     Quando ocorrem, levam para o âmago de nossos corações a dor, a saudade, a ausência permanente de entes queridos que nos deixam o convívio de forma abrupta. 
     E por envolverem geralmente uma quantidade significativa de pessoas, tais flagelos sensibilizam não só os sentimentos pessoais, mas também, podem abalar o moral de instituições, nações e seus governos.

           No capítulo VI do Livro dos Espíritos, Allan Kardec nos apresenta artigos sobre a Lei da Destruição, os quais se destacam as perguntas de número 737 e 738. 
     Na primeira, o notável pedagogo questiona sobre a finalidade de tais flagelos. E com natural objetividade, os espíritos respondem que o objetivo é fazer a humanidade “progredir mais depressa”. 

     Na segunda, Kardec pergunta se Deus não poderia empregar “outros meios que não os flagelos”. E novamente a resposta surpreende: “Pode e os emprega todos os dias…o homem, porém, não se aproveita desses meios…”. 

     Nesta breve passagem podemos perceber que tais provas servem para despertar a nossa inteligência, paciência e resignação ante a vontade de Deus, além de termos a oportunidade de “manifestar nossos sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo” (pergunta 740). 

     Ferramentas estas que estão sempre em nossas mãos, em favor da caridade, mas nem sempre as empregamos adequadamente. Logo, tal como uma criança que necessita de uma chamada mais enérgica dos pais em momentos de desatenção, somos conclamados a rever tais virtudes por meio de eventos mais sensibilizadores.

          Na Revista Espírita nº 3, de março de 1858, no item “A Fatalidade e os Pressentimentos”, Kardec apresenta ao Espírito São Luís perguntas de um correspondente que narra já ter sobrevivido a um perigo iminente por, pelo menos, sete vezes, ressaltando o fato de não se sentir digno de tal merecimento. 
     Segundo o correspondente, pessoas teoricamente mais “importantes” ao mundo, como irmãs em missão eclesiásticas, haviam sucumbido enquanto que ele permanecera ileso.

          Em face aos diversos questionamentos pautados pelo correspondente, o Espírito São Luís ressalta que tais eventos são “fatalidades dos acontecimentos materiais”. 
     Eles ocorrem seguindo as leis naturais da natureza, das quais o homem se insere, ou ainda, como eventos já previstos antes mesmo da encarnação.      
     Como exemplo, ele responde à uma pergunta onde supostamente um homem passaria por uma ponte que iria cair. 
     Para o homem, o que o guia até o local é a “voz do instinto”, definida como sendo uma “impressão em foro íntimo” dos “conhecimentos de todas as fases de sua existência” obtidas antes da reencarnação. 
     Ao se aproximar do momento, esta “voz” torna-se um “pressentimento” que sempre se apresenta de forma vaga, e não direta. Para a ponte, o que a leva à queda são as circunstâncias naturais (ferrugem, desgaste, etc.).

           No caso de provas e expiações, estas fases da existência citadas pelo Espírito São Luís são programadas de acordo com os débitos que precisamos resgatar de outras encarnações. 
     Boa parte de nossas falhas advém de nossas ações individuais que foram de encontro às Leis Divinas. Contudo, podem elas ser decorrentes de erros cometidos em grupo, levando a providência Divina a encontrar um momento adequado para reunir todos aqueles que outrora juntos cometeram determinadas falhas.

           Tomemos como exemplo o grande incêndio ocorrido no Gran Circus, na cidade de Niterói, Rio de Janeiro, no dia 17 de dezembro de 1961, considerada a maior tragédia circense da história. 
     O circo era considerado o maior e mais completo da América Latina e, desde a sua estreia dois dias antes, a tenda se encontrava lotada.

          Naquela tarde do dia 17 o público somava cerca de 2.500 pessoas ansiosas para ver o espetáculo. 
     Faltando cerca de vinte minutos para o encerramento um trapezista percebeu o incêndio. Em menos de cinco minutos, a lona parafinada que cobria o picadeiro pegou fogo de forma criminosa e derreteu sobre todos, gerando um pânico generalizado. 
     Dezenas de pessoas foram queimadas e pisoteadas pela multidão e por uma elefanta do circo. 
     Ao todo, 372 morreram subitamente e outras 131 foram depois contabilizadas, totalizando 503 pessoas, sendo a maior parte crianças.

          Anos depois, no Livro Cartas e Crônicas, psicografado por Francisco Cândido Xavier, o Espírito Irmão X relata que no ano 177 o Imperador Marco Aurélio reinava na Roma antiga. 
     Em seu governo, nenhuma lei que levasse a um prejuízo maior dos cristãos foi lavrada. No entanto, não impedia que fossem aplicadas na cidade, “com o máximo rigor”, todas as leis que existiam contra eles. 
     Desta forma, milhares de homens e mulheres, crianças e idosos eram assassinados sem piedade, na cidade e no interior das arenas.

          Em uma determinada noite foi anunciada a chegada do famoso guerreiro Lúcio Galo, o qual desfrutava da atenção do Imperador e demandava comemorações especiais em sua homenagem. Assim, os preparativos começaram a serem organizados com a preparação das saudações, dançarinas, dentre outros.

          O maior do festejos, no entanto, começou a ser organizado na noite anterior. Mais de mil mulheres e crianças cristãs foram aprisionadas para serem lançadas na noite seguinte em uma arena cercada de farpas embebidas em óleo flamejante. 
     O circo estava pronto. Enquanto que as labaredas queimavam a todos, cavalos eram soltos no meio da multidão de sofredores que eram despedaçados pela correria dos animais.

          Estas cenas terríveis ficaram registradas nos débitos dos organizadores daquele evento. 
     E assim, quase dezoito séculos depois, as Leis Divinas reúnem todos em um mesmo local pelos processos da reencarnação para resgatarem a dolorosa expiação em outra arena coletiva.

          No portão de desembarque do voo MH17, ainda se encontram os corações de familiares e amigos que esperavam o abraço da chegada. 
     Cabe a todos nós a prece e a oração pelos que partiram, como também, pelos que ficaram, independente da região onde ocorra o acidente.

          Outros eventos, dignos de amor e acolhimento fraternal, como o do voo GOL 1907 em 29 de setembro de 2006, ou ainda, o incêndio na Boate Kiss, em 29 de janeiro de 2013, poderiam ser citados. 
     Mas para todos eles resta-nos a esperança de saber que todos continuam vivos em outra dimensão. 
     Suas histórias, suas vidas não foram apagadas e podem continuam a receber as maravilhosas vibrações de prece de nosso plano material. 
    
      O desencarne coletivo, mais que uma expiação para o espírito que parte, também o é para quem fica. 
     Logo, que em nossos instantes de prece, solidarizemos nossos corações encarnados e desencarnados que vivenciaram a experiência de desencarnes coletivos.

          Márcio Martins da Silva Costa.
http://www.agendaespiritabrasil.com.br/2014/07/21/desencarnes-coletivos/

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